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riscos_e_rabiscos

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Partiste.

 

A minha amiga dos lanches no café partiu.

Partiste sem que ninguém esperasse o que já se esperava.

Foste em silêncio, de mansinho.

O mundo ficou mais pobre.

As nossas vidas ficaram mais tristes.

Não há lágrimas que compensem a tua perda.

Apenas a certeza de que um dia ainda nos encontraremos, tia.

E ainda havemos de ir lanchar muitas vezes ao café.

Agora descansa. Em paz.

Até ao dia do nosso encontro.

Um beijo.

Um Dia De Angústia.

 

 

 

 

Último dia do mês. Último dia de trabalho. E um dia de coração partido.

 

Continuo sem saber qual vai ser o meu futuro no colégio. Se sou eu que vou ficar a ensinar o inglês do 1º ciclo também ou se vou apenas ficar com o pré-escolar. E esta incerteza está a causar-me uma angústia inimaginável.

 

Não consigo desligar-me das minhas crianças (já sabem que sou um coração mole), com as quais tenho uma ligação muito especial. E os pais sabem disso.

Não estou a conseguir cortar o cordão umbilical que só nos deveria separar quando eles saíssem do 4º ano. Como irão reagir as minhas crianças quando virem que não sou eu a dar-lhes aulas, a proporcionar-lhes aprendizagens brincando, e apanharem com um director que tem mais que fazer e que vai para ali despejar matéria como se eles fossem pequenos adultos? Isto é, se conseguir dar as aulas…

E não estou a inventar nada, estou apenas a reportar-me a relatos de alunos que o tiveram como professor. Pior ainda, não tem especialidade nenhuma para dar 1º ciclo e está desactualizadíssimo!

 

E ainda mais triste fico ao pensar na forte possibilidade de não ser eu a iniciar a minha priminha B. na língua inglesa, pois vai para o colégio este ano frequentar o 1º ano. A minha B. e todas as outras crianças que eu já conheço há muito e sempre estiveram muito ansiosas por aprender inglês comigo…

 

Como se não bastasse o desânimo que estas situações me vêm trazendo, recebi uma notícia de uma das minhas melhores amigas que me caiu como uma bomba.

Resolveu sair do actual emprego – onde estava a viver uma situação insustentável – para ir trabalhar para uma das regiões de França onde abunda gente VIP e com uma forte componente turística.

Mas o pior é que vai trabalhar para uns russos que não conhece e nem sabe exactamente o que vai fazer.

 

Já lhe disse que admiro a coragem dela pois eu não a tenho. Ir para um país estrangeiro sozinha, onde não tem ninguém conhecido e onde lhe arranjaram um trabalho. Sim, porque ela nem sequer falou com os futuros patrões. Isto assusta-me e muito. Mas eu sou um coração muito mole e jamais seria capaz de abandonar os meus pais velhotes para ir trabalhar para fora do país. E muito menos ainda sabendo que poderia nunca mais ver o meu pai ou a minha mãe devido aos seus problemas de saúde que implicam alguma gravidade.

 

Hoje é mesmo um dia para esquecer. Parece-me que a minha insónia desta noite estava já a indiciar-me alguma coisa. Ai este meu sexto sentido…!

 

Apanhem-no Se Conseguirem!

Sexta-feira, último dia da semana. Mais um dia rotineiro de levantar, tomar o pequeno-almoço, preparar as coisas, almoçar e ir para a escola. Mas esta sexta-feira não iria ser igual à outras. Algo inesperado aconteceu.

 

Estava eu literalmente soterrada no meio da minha papelada, lápis, canetas e dossiers, quando o meu telemóvel toca. Era o meu irmão. Huummm... quase hora de almoço, deve ser para avisar que não vem almoçar. Mas porque ligou para mim em vez de ligar para a progenitora?

 

Atendo o telemóvel e oiço uma voz muito aflita do outro lado: "Mana, o Bóbi fugiu!!!!"

Caiu-me tudo aos pés... "Fugiu? Mas como? Diz ao pai para irem de carro à procura deles nas redondezas."

Como o cão está habituado a andar de trela, fiquei preocupada que ele pudesse ser atropelado por algum carro. E porque sei - por experiência própria - que ele à solta desata a fugir que nem um doido.

O meu irmão tinha muito receio que alguém o apanhasse e ficasse com ele pois o cão é bonito e está sempre a ser cobiçado. Mas o Bóbi de parvo não tem nada e só se deixaria apanhar por alguém que ele conheça muito bem.

 

Deduzi que ele iria dar umas corridas valentes e depois fosse ter com o meu pai e irmão ou viesse para casa. São apenas os caminhos que ele conhece e espertalhão como ele é...

Eu e a minha mãe saimos para a rua para o procurarmos enquanto avisávos todos os que encontrámos que o tentassem agarrar caso o encontrassem.

 

Resultado, o senhor Bóbi resolveu pregar a partida de se soltar, correu que se fartou e voltou ao local de partida. Ao que parece, eram algumas sete ou oito pessoas atrás dele a tentar agarrá-lo e ele estava todo contente porque pensava que estavam a brincar com ele. Quanto mais o pessoal corria, mais o Bóbi lhes fugia.

 

Este cão é mais doido que eu sei lá o quê... Já vos contei que ele come ao garfo?!